Governo busca partidos do Centrão para discutir espaço de partidos no quarto mandato de Lula

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou interlocutores para buscar uma aproximação com partidos do Centrão com o objetivo de discutir a governabilidade em seu quarto mandato e o espaço dessas siglas na Esplanada. Aliados do petista dizem, no entanto, que o Palácio do Planalto pretende exigir uma nova postura dessas legendas e cobrará fidelidade integral, o que não aconteceu neste terceiro mandato.
Na formação de seu atual ministério, Lula distribuiu pastas para partidos que se declararam independentes ao longo dos anos e não necessariamente votavam com o governo no Congresso. Além disso, no segundo turno, legendas com assento na Esplanada aderiram à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente nas eleições.
Essa postura foi alvo de queixas do Planalto e levou à exoneração de indicados políticos de lideranças desses partidos na máquina federal, como aliados do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
De acordo com duas pessoas que acompanham esse diálogo com o Centrão, a ideia é cobrar “fidelidade total” desses partidos como premissa para ter espaço no primeiro escalão do petista. Um deles afirma que é melhor uma base menor no Congresso, mas coesa e leal, do que uma composição que não esteja alinhada com os interesses do Planalto. Outro diz que só terá ministério quem votar 100% com o governo.
Essa avaliação foi compartilhada por dirigentes petistas em reunião da executiva do partido nesta quinta-feira. Governistas reconhecem, no entanto, a dificuldade de impor um apoio unânime dessas siglas, já que muitas delas têm representantes da oposição a Lula.
Segundo relatos, estão marcadas para os próximos dias conversas com representantes de PSD, Republicanos, MDB, Podemos e Progressistas. Também está no radar buscar o diálogo com PSDB, Avante e União Brasil.
Em entrevista ao GLOBO, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que as conversas vão se dar com os comandos das legendas, e não com as alas dessas siglas.
— Nós vamos conversar com os partidos. Os partidos que queiram estar conosco têm que ter lealdade a esse projeto liderado pelo presidente Lula.
O Planalto também aposta na relação de proximidade estabelecida com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para buscar arregimentar uma base de apoio às propostas de interesse do próximo governo.
A busca por uma base de apoio ganha forças no próximo ano, diante de um crescimento expressivo do PL no Congresso, além de aliados do bolsonarismo que estão em outros partidos. A sigla de Flávio Bolsonaro terá as maiores bancadas nas duas Casas, com 121 deputados e 28 senadores. A federação do PT (com PV e PC do B) e os demais partidos de esquerda (PSOL, Rede, PSB e PDT) juntos têm 124 deputados e 15 senadores.
Apesar desse cenário desfavorável no Congresso, aliados de Lula dizem apostar na pressão popular e na mobilização da juventude, que tomou as ruas no segundo turno, além da atuação nas redes sociais — sobretudo por meio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado por André Janones (Rede-MG) e que reúne mais de 10 milhões de integrantes— para fazer esse enfrentamento no Parlamento.
Lideranças petistas também defendem que Lula abra espaço nos ministérios que possuem gabinete no Palácio do Planalto a partidos aliados, como forma de sinalizar um governo mais amplo que reflita os apoios recebidos no segundo turno da disputa contra Flávio Bolsonaro. No atual mandato, essas pastas ficaram restritas ao PT e ao PSOL.


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